Sinais de autismo em crianças: quando procurar avaliação
Você não precisa ter certeza para pedir ajuda. A dúvida já basta.
Em 10 segundos
- Sinais de autismo costumam ficar mais claros entre 12 e 24 meses.
- A triagem com o M-CHAT é recomendada entre 18 e 24 meses.
- Na dúvida, avaliar cedo é melhor do que esperar para ver.
Seu filho não olha quando você chama, ou ainda não fala como as outras crianças da mesma idade. A dúvida aperta. Sinais de autismo costumam ficar mais claros entre 12 e 24 meses de vida (1).
Um sinal sozinho não fecha diagnóstico. Mas ele merece uma conversa com o pediatra, sem pânico e sem esperar demais. Este texto ajuda você a observar. Quem avalia é a consulta.
Sinais de autismo em bebê
Ainda no primeiro ano, alguns sinais pedem atenção (1):
- Não olhar quando chamam pelo nome.
- Pouco contato visual, mesmo na hora de mamar.
- Pouco sorriso de volta quando alguém sorri para ele.
- Mais interesse por objetos do que por pessoas.
- Pouco balbucio por volta dos 9 meses.
- Não apontar para mostrar coisas até os 12 meses.
Sinais de autismo em criança de 2 e 3 anos
Do segundo ano em diante, outros sinais ficam mais visíveis (1):
- Nenhuma palavra até os 16 meses, ou nenhuma frase até os 2 anos.
- Repetir falas ouvidas, sem usar para conversar.
- Brincar sempre do mesmo jeito, como enfileirar carrinhos.
- Pouco interesse em brincar junto ou em mostrar o que acha legal.
- Irritação intensa e muita dificuldade para se acalmar.
Perda de habilidades em qualquer idade pede avaliação logo: a criança que balbuciava e parou, ou que olhava nos olhos e deixou de olhar (1).
Irmãos contam. Num estudo com 664 bebês que tinham um irmão mais velho autista, 18,7% também receberam o diagnóstico (2).
E um aviso que muitos pais precisam ouvir: vacina não causa autismo. Uma meta-análise com mais de 1,2 milhão de crianças não encontrou relação (3).
M-CHAT e triagem: quando procurar avaliação
A Academia Americana de Pediatria recomenda triar todas as crianças aos 18 e aos 24 meses, mesmo sem sinais claros (4). A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta o mesmo, com o M-CHAT-R/F (1).
O M-CHAT-R/F tem 20 perguntas de sim ou não, respondidas pelos pais, para crianças de 16 a 30 meses. De 3 a 7 pontos, o pediatra faz uma entrevista de seguimento. Com 8 ou mais, já encaminha para avaliação (1).
Triagem positiva não é diagnóstico. No estudo de validação, quase metade das crianças que seguiram positivas após a entrevista recebeu diagnóstico de autismo, e quase todas tinham algum atraso a acompanhar (5).
Procure avaliação se a triagem der positiva, se houver perda de habilidades ou se a sua preocupação continuar. Você convive com seu filho todos os dias. A sua impressão conta.
O diagnóstico é clínico, feito pela história e pela observação da criança. Ele pode ser feito a partir dos 18 meses (1, 4).
Por que a intervenção cedo importa
Uma revisão sobre crianças com menos de 3 anos encontrou modelos de intervenção com benefício claro. Neles, os pais têm papel central e o aprendizado acontece nas atividades do dia (6).
Num ensaio clínico com 48 crianças de 18 a 30 meses, dois anos de intervenção feita por terapeutas e pelos pais trouxeram ganhos em QI e em comportamento adaptativo, comparados ao atendimento comum (7).
Mesmo assim, no Brasil, muitas crianças só recebem o diagnóstico anos depois da primeira preocupação dos pais (1). A estimulação em casa e as terapias podem começar já na suspeita.
Você não precisa ter certeza para pedir ajuda. A dúvida já basta para marcar uma avaliação.
Como o Método CUIDAR olha para isso
Autismo não é doença. O objetivo é seu filho se desenvolver bem do jeito dele, com apoio no que for difícil.
Na trilha TEA do Método CUIDAR, eu começo pelo pilar Compreender. Escuto vocês, observo seu filho e leio os relatórios da escola e das terapias.
Olho sono, alimentação e intestino, que mexem muito no comportamento (4). Quando indicado, peço avaliação de audição e de visão, porque a perda auditiva pode confundir o quadro (1).
No pilar Unir, alinhamos família, escola e terapeutas em torno do mesmo plano. Remédio nem sempre entra. Quando entra, é para sintomas específicos que atrapalham muito. O centro do cuidado são as terapias e a rotina.
Eu atendo a partir dos 6 anos. Antes disso, quem faz a triagem e encaminha para avaliação é o pediatra.
Se o seu filho já tem 6 anos, na página Autismo na infância você vê como eu conduzo a avaliação e pode agendar uma consulta.
- Grave dois ou três vídeos curtos de situações do dia a dia.
- Peça à escola ou creche um relato de como seu filho brinca e se comunica.
- Anote quando percebeu cada sinal e se alguma habilidade foi perdida.
- Separe a caderneta da criança, exames e relatórios de terapias.
- Liste os remédios e suplementos que ele usa.
Referências
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento. Transtorno do Espectro do Autismo. Manual de Orientação n. 5. Rio de Janeiro: SBP; 2019.
- Ozonoff S, Young GS, Carter A, Messinger D, Yirmiya N, Zwaigenbaum L, et al. Recurrence risk for autism spectrum disorders: a Baby Siblings Research Consortium study. Pediatrics. 2011;128(3):e488-e495.
- Taylor LE, Swerdfeger AL, Eslick GD. Vaccines are not associated with autism: an evidence-based meta-analysis of case-control and cohort studies. Vaccine. 2014;32(29):3623-3629.
- Hyman SL, Levy SE, Myers SM; Council on Children with Disabilities, Section on Developmental and Behavioral Pediatrics. Identification, evaluation, and management of children with autism spectrum disorder. Pediatrics. 2020;145(1):e20193447.
- Robins DL, Casagrande K, Barton M, Chen CM, Dumont-Mathieu T, Fein D. Validation of the Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-up (M-CHAT-R/F). Pediatrics. 2014;133(1):37-45.
- Zwaigenbaum L, Bauman ML, Choueiri R, Kasari C, Carter A, Granpeesheh D, et al. Early intervention for children with autism spectrum disorder under 3 years of age: recommendations for practice and research. Pediatrics. 2015;136(Suppl 1):S60-S81.
- Dawson G, Rogers S, Munson J, Smith M, Winter J, Greenson J, et al. Randomized, controlled trial of an intervention for toddlers with autism: the Early Start Denver Model. Pediatrics. 2010;125(1):e17-e23.