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Dr. Lucas Menezes
Emoções e relações

Borderline: sintomas, o que é e como é o tratamento

Os sintomas do borderline costumam diminuir com o tempo e com tratamento.

5 min de leitura

Em 10 segundos

  1. Borderline é um padrão de emoções intensas, impulsividade e relações instáveis.
  2. Nos estudos que acompanham pessoas por anos, a maioria melhora dos sintomas.
  3. Psicoterapia é o eixo. Remédio entra com alvo, e a família ajuda.

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Borderline: o que é

Você sente tudo muito forte e muito rápido. Uma mensagem sem resposta vira medo de ser deixado. Depois vem a culpa pelo que você disse no calor da hora.

Transtorno de personalidade borderline é um padrão duradouro de sentir, pensar e se relacionar. Ele aparece em cerca de 1,7% da população geral e em 15 a 28% das pessoas atendidas em serviços de saúde mental (1).

A pessoa com transtorno de personalidade borderline costuma ter uma sensibilidade alta ao que vem dos outros. A emoção sobe rápido, é intensa e demora para baixar (1). O nome descreve um padrão. Ele não define quem você é.

Borderline: sintomas e teste

Os sintomas mais descritos são estes (2):

  • Medo intenso de ser abandonado, com muito esforço para evitar isso.
  • Relações que oscilam entre admirar muito e se decepcionar.
  • Imagem de si instável: não saber direito quem você é ou o que quer.
  • Impulsividade com gastos, comida, álcool, sexo ou direção.
  • Humor que muda em horas, raiva difícil de controlar e sensação de vazio.
  • Autolesão ou pensamentos de morte nas crises.

Existe questionário de triagem, mas nenhum teste online fecha o diagnóstico. Ele é clínico, feito com a sua história e olhando vários lugares da vida (2). Na consulta, eu uso escalas como o MSI-BPD para levantar a suspeita, e a conversa decide.

Eu também investigo o que costuma vir junto, como depressão, ansiedade, TDAH, trauma e uso de substâncias. Cada um muda o plano.

Se você pensa em se machucar, ligue 188 (CVV, 24 h, gratuito) ou procure a emergência mais próxima.

Borderline tem cura? O que os estudos mostram

Por muito tempo se achou que o borderline não mudava. Os estudos que acompanharam pessoas por muitos anos mostram outra coisa.

Num estudo que seguiu 290 pessoas por 16 anos, 78 a 99% tiveram remissão dos sintomas mantida por 2 a 8 anos, conforme o critério usado (3). Remissão quer dizer que os sintomas baixaram a ponto de não fechar mais o diagnóstico.

Outro estudo acompanhou 175 pessoas por 10 anos. Delas, 85% entraram em remissão, e só 12% voltaram a ter o quadro (4). Psicoterapias com evidência podem fazer essa melhora chegar mais cedo (1).

A parte mais lenta é a vida funcionar: trabalho, estudo, relações estáveis (3, 4). No estudo de 16 anos, a recuperação completa, com sintomas baixos e vida funcionando bem, ficou entre 40 e 60% (3).

Os sintomas do borderline costumam diminuir com o tempo, e o tratamento ajuda a reconstruir o resto da vida.

Como é o tratamento

A psicoterapia estruturada é o centro. Uma revisão Cochrane com 75 ensaios mostrou que ela reduz a gravidade dos sintomas, em comparação com o tratamento usual (5).

As mais estudadas são a terapia comportamental dialética (DBT), que ensina habilidades para lidar com emoções fortes, e a terapia baseada em mentalização (MBT), que ajuda a entender o que se passa na sua mente e na do outro (5).

O remédio tem papel limitado. Outra revisão Cochrane, com 46 ensaios, não encontrou remédio que trate o transtorno em si (6). A diretriz inglesa NICE orienta não usar remédio para o borderline em si e tratar as condições que vêm junto (7).

Por isso, quando eu indico remédio, ele tem um alvo escrito, como uma depressão que veio junto. Um de cada vez, com prazo para rever. Qualquer mudança no remédio se combina com o seu médico.

A família entra quando você autoriza. A NICE recomenda perguntar e, com o seu consentimento, envolver a família no cuidado (7).

Num programa para familiares, o Family Connections, quem participou relatou menos sobrecarga e mais segurança para lidar com as crises (8).

Como o Método CUIDAR olha para isso

Na trilha de personalidade do Método CUIDAR, o pilar Compreender vem primeiro. Eu mapeio os traços, o risco e o corpo: sono, tireoide, ferro, álcool. Tudo isso mexe na irritabilidade e pode parecer "de personalidade" sem ser.

No pilar Unir, você, o terapeuta e a família passam a seguir o mesmo plano, com um plano de crise escrito. Em Individualizar, a psicoterapia é o eixo e o remédio é uma parte, com alvo e prazo.

Saúde mental interativa quer dizer que sono, movimento, relações e rotina conversam com a terapia. Por isso o primeiro hábito costuma ser simples, como acordar sempre no mesmo horário.

Se você se reconhece aqui, veja como eu cuido de emoções intensas e relações.

Leia também: Depressão: sintomas físicos e Ansiedade: sintomas no corpo.

  • Quando a emoção subir, diga o nome dela e uma nota de 0 a 10 antes de agir.
  • Acorde no mesmo horário por 7 dias, com luz natural logo cedo.
  • Não decida nada sobre uma relação nas 24 horas depois de uma crise.
  • Não use álcool como resposta a uma emoção forte.
  • Conte para uma pessoa de confiança o que você está vivendo.

Referências

  1. Gunderson JG, Herpertz SC, Skodol AE, Torgersen S, Zanarini MC. Borderline personality disorder. Nat Rev Dis Primers. 2018;4:18029.
  2. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR). Washington, DC: American Psychiatric Association Publishing; 2022.
  3. Zanarini MC, Frankenburg FR, Reich DB, Fitzmaurice G. Attainment and stability of sustained symptomatic remission and recovery among patients with borderline personality disorder and axis II comparison subjects: a 16-year prospective follow-up study. Am J Psychiatry. 2012;169(5):476-483.
  4. Gunderson JG, Stout RL, McGlashan TH, Shea MT, Morey LC, Grilo CM, et al. Ten-year course of borderline personality disorder: psychopathology and function from the Collaborative Longitudinal Personality Disorders study. Arch Gen Psychiatry. 2011;68(8):827-837.
  5. Storebø OJ, Stoffers-Winterling JM, Völlm BA, Kongerslev MT, Mattivi JT, Jørgensen MS, et al. Psychological therapies for people with borderline personality disorder. Cochrane Database Syst Rev. 2020;5(5):CD012955.
  6. Stoffers-Winterling JM, Storebø OJ, Pereira Ribeiro J, Kongerslev MT, Völlm BA, Mattivi JT, et al. Pharmacological interventions for people with borderline personality disorder. Cochrane Database Syst Rev. 2022;11(11):CD012956.
  7. National Institute for Health and Care Excellence. Borderline personality disorder: recognition and management. Clinical guideline CG78. London: NICE; 2009.
  8. Hoffman PD, Fruzzetti AE, Buteau E, Neiditch ER, Penney D, Bruce ML, et al. Family Connections: a program for relatives of persons with borderline personality disorder. Fam Process. 2005;44(2):217-225.

Conteúdo educativo. Não substitui consulta. Em crise, ligue 188 (CVV, 24 h, gratuito) ou procure a emergência mais próxima.