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Dr. Lucas Menezes

Transtornos de Humor

Não é tristeza que passa com força de vontade. É um sistema inteiro pedindo cuidado: corpo, mente e vida.

Em 10 segundos

  1. É um sistema inteiro pedindo cuidado: corpo, mente e vida.
  2. Antes de medicar, a gente mede. Depois de melhorar, a gente sustenta.
  3. Ponto de chegada: Remissão sustentada e plano de prevenção de recaída

resumo da trilha

Uma trilha para o humor inteiro

Antes de medicar, a gente mede. Depois de melhorar, a gente sustenta.

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Depressão, transtorno bipolar e distimia nascem do encontro entre biologia, sono, nutrição, história e contexto. Não são falha de caráter, e um desequilíbrio químico sozinho não explica o quadro. O Método CUIDAR trata esse encontro inteiro, com medida e com direção.

Transtornos de humor são a causa mais comum de sofrimento psíquico no consultório e uma das principais causas de incapacidade no mundo. Depressão maior, transtorno bipolar tipo I e II e distimia se apresentam de formas diferentes, mas têm uma base comum. O humor é a saída visível de um sistema que envolve sono, inflamação, hormônios, nutrição, relações e história de vida 2, 8.

A trilha de humor do Método CUIDAR percorre seis pilares. Em Compreender, o mapa: escalas, exames e linha do tempo, com rastreio ativo de bipolaridade antes de qualquer antidepressivo. Em Unir, a formulação: o que os resultados dizem juntos e quem entra no plano. Em Individualizar, a aplicação: medicação quando indicada, psicoterapia, sono, movimento, alimentação e luz, na ordem que cabe na sua vida. Em Desenvolver, a medição e a consciência: você aprende a ler os próprios indicadores. Em Acompanhar, a habitualização: o que funcionou vira rotina. Em Reconstruir, a remissão sustentada e o plano escrito de prevenção de recaída.

A diferença desta trilha em relação a uma consulta rápida está no que vem antes da receita. Metade das pessoas com depressão não atinge remissão com o primeiro antidepressivo 1. Boa parte dessa resposta parcial vem de causas clínicas que ninguém olhou: tireoide, ferro, vitaminas, apneia, álcool, sono. O método mede tudo isso primeiro e trata o que encontra. Quando a medicação é indicada, ela entra com base, com monitoramento e com data para ser revista.

O fim desta trilha tem critério: PHQ-9 abaixo de 5 por pelo menos oito semanas, função recuperada, sono regular e um plano de recaída escrito. No primeiro episódio, o tratamento continua por 6 a 12 meses após a remissão. Em quadros recorrentes ou bipolares, por mais tempo. Qualquer redução é gradual e feita só com o médico 2, 24, 29.

trilha preventiva

Prevenir antes de precisar tratar

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Um episódio depressivo raramente aparece do nada. Meses antes, o sono encurta ou fica irregular, o movimento some, a alimentação desorganiza, as relações rareiam e o humor perde cor. Esses sinais subclínicos são fatores de risco modificáveis. Cuidar de sono, exercício, dieta e tabagismo reduz o risco de um primeiro episódio e melhora sintomas em quem já tem algum 7.

Na trilha preventiva, o método faz o mesmo mapa da trilha de tratamento: escalas de linha de base, exames do corpo e uma leitura honesta da rotina. A diferença é o alvo. Aqui a gente procura onde está o desequilíbrio, para fortalecer antes que ele vire diagnóstico. Deficiência de vitamina D, ferro baixo, tireoide alterada e apneia do sono produzem sintomas que parecem psiquiátricos e são corrigíveis 3, 5, 14, 18.

Para quem tem história familiar de transtorno bipolar ou de depressão recorrente, prevenir inclui aprender a reconhecer os próprios sinais precoces e proteger a regularidade do sono. É a mesma lógica do pilar VI, só que antes do primeiro episódio.

triagem e pré-entendimento

Questionários que dão número ao que você sente.

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As escalas abaixo são respondidas antes da primeira consulta, pelo link de pré-consulta, e repetidas em cada retorno. Elas não fecham diagnóstico: dão número ao que você sente e permitem comparar hoje com daqui a um mês. O diagnóstico é sempre clínico, feito na consulta.

InstrumentoO que medeItensPonto de corteQuando
PHQ-9
Patient Health Questionnaire-9
humor95 leve · 10 moderada · 15 moderadamente grave · 20 grave · remissão < 5 9Pré-consulta e em todos os retornos
GAD-7
Generalized Anxiety Disorder-7
humor75 leve · 10 moderada · 15 grave 10Pré-consulta e em todos os retornos
MDQ
Mood Disorder Questionnaire
humor157 ou mais sintomas no mesmo período, com prejuízo moderado ou grave 11Uma vez, na entrada, antes de qualquer antidepressivo
ISI
Índice de Gravidade da Insônia
sono78 a 14 subclínica · 15 a 21 moderada · 22 a 28 grave 12Pré-consulta e em todos os retornos
AUDIT-C
Alcohol Use Disorders Identification Test, versão consumo
substancias34 ou mais em homens · 3 ou mais em mulheres 13Pré-consulta e a cada 3 meses
WHO-5
Índice de Bem-Estar da OMS
sentido5Escore 50 ou menos sugere bem-estar reduzido. 28 ou menos sugere rastreio de depressãoPré-consulta e a partir do pilar IV, para acompanhar bem-estar e não só sintoma

exames laboratoriais de base

O que o corpo precisa mostrar antes de qualquer conduta.

Pedidos na primeira consulta e revistos no pilar I. Cada pilar acrescenta ou repete exames conforme a etapa.

  • Tireoide

    TSH · T4 livre · Anti-TPO quando TSH alterado

    Hipotireoidismo produz apatia, lentidão e humor baixo. Hipertireoidismo produz ansiedade, insônia e agitação. Ambos imitam ou pioram transtornos de humor, e o lítio pode alterar a função tireoidiana ao longo do tempo 3, 8.

    Quando: Na entrada. Repetir em 3 meses se alterado e a cada 6 a 12 meses em uso de lítio.

  • Hemograma e ferro

    Hemograma completo · Ferritina · Saturação de transferrina

    A deficiência de ferro reduz energia, concentração e tolerância ao estresse mesmo antes de causar anemia, e a reposição melhora a fadiga em quem tem ferritina baixa 14.

    Quando: Na entrada. Repetir 3 meses após a reposição.

  • Vitaminas

    Vitamina B12 · Folato · 25-OH vitamina D

    Deficiência de B12 e folato se associa a depressão e a pior resposta a antidepressivos 4. Deficiência de vitamina D é comum e associada a sintomas depressivos, ainda que a reposição isolada tenha efeito modesto 5.

    Quando: Na entrada. Vitamina D a cada 6 meses.

  • Metabólico e inflamação

    Glicemia de jejum · Hemoglobina glicada · Perfil lipídico · PCR ultrassensível

    Depressão e síndrome metabólica se retroalimentam 15, e vários psicofármacos alteram peso e glicose. A inflamação de baixo grau se associa a depressão com mais sintomas físicos e resposta pior 16. A linha de base precisa existir antes de começar.

    Quando: Na entrada e a cada 6 meses em uso de medicação que altera peso ou glicose.

  • Função renal e eletrólitos

    Creatinina e taxa de filtração glomerular estimada · Sódio · Cálcio

    Obrigatórios antes e durante o uso de lítio, que é eliminado pelo rim e pode alterar cálcio e função renal ao longo dos anos. Hiponatremia também pode ocorrer com alguns antidepressivos em pessoas mais velhas 8, 21.

    Quando: Na entrada, em qualquer pessoa candidata a estabilizador. Com litemia a cada 3 a 6 meses no primeiro ano de lítio e depois a cada 6 a 12 meses.

  • Específicos da trilha

    Litemia (nível sérico de lítio) · Polissonografia · Beta-hCG em mulheres em idade fértil antes de estabilizadores

    A litemia define se a dose está na faixa terapêutica, que é estreita. A apneia do sono produz humor baixo que não responde a antidepressivo 18. Alguns estabilizadores, em especial o valproato, têm risco elevado na gestação e exigem planejamento 8.

    Quando: Litemia 5 a 7 dias após cada ajuste de dose e depois periodicamente. Polissonografia se houver ronco, pausas respiratórias ou sonolência diurna.

os seis pilares nesta trilha

Um pilar por retorno. Cada um com entrada e saída medidas.

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Antes de entrar no pilar, o formulário de entrada registra a linha de base. No retorno seguinte, o formulário de retorno registra o que aconteceu e calcula a performance. Cada pilar traz perguntas, métricas, tarefas, hábitos, exames e a integração com a visão 360.

o fim desta trilha

Remissão sustentada e plano de prevenção de recaída

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Nesta trilha, o fim do método não é "parar de sentir tristeza". É remissão sustentada. Os sintomas ficam abaixo do limiar clínico por tempo suficiente para a vida voltar a funcionar. E você tem um plano escrito para reconhecer e agir cedo se o humor começar a escorregar. Remissão é PHQ-9 abaixo de 5 9. Ela é sustentada quando se mantém por pelo menos oito semanas seguidas, com sono regular e função recuperada no trabalho, nas relações e no cuidado de si 2.

A prevenção de recaída é a parte do tratamento mais esquecida e a que mais protege. Manter o antidepressivo após a remissão reduz o risco de recaída em cerca de dois terços em relação a suspender 29. Por isso, no primeiro episódio a medicação fica por 6 a 12 meses depois da remissão. Em depressão recorrente, grave ou com sintomas residuais, por dois anos ou mais. No transtorno bipolar, o estabilizador é tratamento de longo prazo, com monitoramento contínuo 2, 8, 24. Qualquer redução é gradual, planejada e feita só com o médico. Psicoterapia de manutenção, como TCC ou terapia cognitiva baseada em mindfulness, reduz recaída em quem já teve episódios repetidos 22.

Para quem fez a trilha preventiva, o fim é a consolidação: sinais precoces reconhecidos, rotina protetora estabelecida e um combinado claro sobre quando voltar.

Critérios

  • PHQ-9 abaixo de 5 por pelo menos 8 semanas consecutivas, medido em dois retornos seguidos
  • GAD-7 abaixo de 5 ou ansiedade residual que não limita a função
  • Funcionalidade recuperada: trabalho ou estudo, responsabilidades e relações no nível anterior ao episódio, ou em nível que a pessoa considera bom
  • Sono regular: horário de acordar fixo em pelo menos 6 de 7 dias e ISI abaixo de 8
  • Plano de prevenção de recaída escrito, com sinais precoces pessoais, ações e contatos, revisado com o Dr. Lucas
  • Adesão à medicação de manutenção pelo tempo combinado (6 a 12 meses após remissão no primeiro episódio, mais tempo em quadros recorrentes ou bipolares) e monitoramento laboratorial em dia
  • Álcool dentro do limite combinado e AUDIT-C abaixo do ponto de corte
  • Sem hipomania ou mania no período, com estabilizador em faixa terapêutica quando for transtorno bipolar

Indicadores de chegada

Gravidade depressiva
PHQ-9 < 5 por 8 semanas ou mais
Ansiedade
GAD-7 < 5
Insônia
ISI < 8 e horário de acordar fixo em 6 de 7 dias
Bem-estar
WHO-5 acima de 50
Função
Trabalho, relações e autocuidado em nível considerado bom pela pessoa por 8 semanas
Plano de recaída
Escrito, revisado e compartilhado com uma pessoa de apoio

Manutenção e prevenção de recaída

  1. Manter a medicação na dose que trouxe a remissão pelo tempo combinado. Nunca reduzir por conta própria, mesmo se sentindo bem
  2. Repetir PHQ-9 e GAD-7 a cada 1 a 3 meses no primeiro ano após a remissão e voltar a responder semanalmente se algum sinal precoce aparecer
  3. Proteger o sono como prioridade: horário de acordar fixo, luz de manhã, sem telas na cama, e tratar qualquer insônia que dure mais de duas semanas
  4. Manter 150 minutos semanais de atividade física moderada ou o equivalente que foi construído na trilha
  5. Manter o padrão alimentar de base mediterrânea e repetir vitamina D, ferritina e o painel metabólico a cada 6 a 12 meses
  6. Em uso de lítio: litemia, creatinina, TSH e cálcio a cada 6 a 12 meses, e sempre que houver ajuste de dose, desidratação ou novo medicamento
  7. Sessões de psicoterapia de manutenção espaçadas, ou um curso de TCC ou mindfulness de prevenção de recaída para quem teve episódios repetidos
  8. Revisar o plano de recaída a cada 6 meses e antes de períodos de estresse previsível (mudança, luto, viagem longa, parto)

materiais da trilha

Para ler, responder e levar para a consulta.

Este material tem caráter educativo e informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento são decisões do médico, tomadas em conjunto com o paciente.