Transtornos de Humor
Não é tristeza que passa com força de vontade. É um sistema inteiro pedindo cuidado: corpo, mente e vida.
Em 10 segundos
- É um sistema inteiro pedindo cuidado: corpo, mente e vida.
- Antes de medicar, a gente mede. Depois de melhorar, a gente sustenta.
- Ponto de chegada: Remissão sustentada e plano de prevenção de recaída
resumo da trilha
Uma trilha para o humor inteiro
Antes de medicar, a gente mede. Depois de melhorar, a gente sustenta.
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Depressão, transtorno bipolar e distimia nascem do encontro entre biologia, sono, nutrição, história e contexto. Não são falha de caráter, e um desequilíbrio químico sozinho não explica o quadro. O Método CUIDAR trata esse encontro inteiro, com medida e com direção.
Transtornos de humor são a causa mais comum de sofrimento psíquico no consultório e uma das principais causas de incapacidade no mundo. Depressão maior, transtorno bipolar tipo I e II e distimia se apresentam de formas diferentes, mas têm uma base comum. O humor é a saída visível de um sistema que envolve sono, inflamação, hormônios, nutrição, relações e história de vida 2, 8.
A trilha de humor do Método CUIDAR percorre seis pilares. Em Compreender, o mapa: escalas, exames e linha do tempo, com rastreio ativo de bipolaridade antes de qualquer antidepressivo. Em Unir, a formulação: o que os resultados dizem juntos e quem entra no plano. Em Individualizar, a aplicação: medicação quando indicada, psicoterapia, sono, movimento, alimentação e luz, na ordem que cabe na sua vida. Em Desenvolver, a medição e a consciência: você aprende a ler os próprios indicadores. Em Acompanhar, a habitualização: o que funcionou vira rotina. Em Reconstruir, a remissão sustentada e o plano escrito de prevenção de recaída.
A diferença desta trilha em relação a uma consulta rápida está no que vem antes da receita. Metade das pessoas com depressão não atinge remissão com o primeiro antidepressivo 1. Boa parte dessa resposta parcial vem de causas clínicas que ninguém olhou: tireoide, ferro, vitaminas, apneia, álcool, sono. O método mede tudo isso primeiro e trata o que encontra. Quando a medicação é indicada, ela entra com base, com monitoramento e com data para ser revista.
O fim desta trilha tem critério: PHQ-9 abaixo de 5 por pelo menos oito semanas, função recuperada, sono regular e um plano de recaída escrito. No primeiro episódio, o tratamento continua por 6 a 12 meses após a remissão. Em quadros recorrentes ou bipolares, por mais tempo. Qualquer redução é gradual e feita só com o médico 2, 24, 29.
trilha preventiva
Prevenir antes de precisar tratar
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Um episódio depressivo raramente aparece do nada. Meses antes, o sono encurta ou fica irregular, o movimento some, a alimentação desorganiza, as relações rareiam e o humor perde cor. Esses sinais subclínicos são fatores de risco modificáveis. Cuidar de sono, exercício, dieta e tabagismo reduz o risco de um primeiro episódio e melhora sintomas em quem já tem algum 7.
Na trilha preventiva, o método faz o mesmo mapa da trilha de tratamento: escalas de linha de base, exames do corpo e uma leitura honesta da rotina. A diferença é o alvo. Aqui a gente procura onde está o desequilíbrio, para fortalecer antes que ele vire diagnóstico. Deficiência de vitamina D, ferro baixo, tireoide alterada e apneia do sono produzem sintomas que parecem psiquiátricos e são corrigíveis 3, 5, 14, 18.
Para quem tem história familiar de transtorno bipolar ou de depressão recorrente, prevenir inclui aprender a reconhecer os próprios sinais precoces e proteger a regularidade do sono. É a mesma lógica do pilar VI, só que antes do primeiro episódio.
triagem e pré-entendimento
Questionários que dão número ao que você sente.
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As escalas abaixo são respondidas antes da primeira consulta, pelo link de pré-consulta, e repetidas em cada retorno. Elas não fecham diagnóstico: dão número ao que você sente e permitem comparar hoje com daqui a um mês. O diagnóstico é sempre clínico, feito na consulta.
| Instrumento | O que mede | Itens | Ponto de corte | Quando |
|---|---|---|---|---|
| PHQ-9 Patient Health Questionnaire-9 | humor | 9 | 5 leve · 10 moderada · 15 moderadamente grave · 20 grave · remissão < 5 9 | Pré-consulta e em todos os retornos |
| GAD-7 Generalized Anxiety Disorder-7 | humor | 7 | 5 leve · 10 moderada · 15 grave 10 | Pré-consulta e em todos os retornos |
| MDQ Mood Disorder Questionnaire | humor | 15 | 7 ou mais sintomas no mesmo período, com prejuízo moderado ou grave 11 | Uma vez, na entrada, antes de qualquer antidepressivo |
| ISI Índice de Gravidade da Insônia | sono | 7 | 8 a 14 subclínica · 15 a 21 moderada · 22 a 28 grave 12 | Pré-consulta e em todos os retornos |
| AUDIT-C Alcohol Use Disorders Identification Test, versão consumo | substancias | 3 | 4 ou mais em homens · 3 ou mais em mulheres 13 | Pré-consulta e a cada 3 meses |
| WHO-5 Índice de Bem-Estar da OMS | sentido | 5 | Escore 50 ou menos sugere bem-estar reduzido. 28 ou menos sugere rastreio de depressão | Pré-consulta e a partir do pilar IV, para acompanhar bem-estar e não só sintoma |
exames laboratoriais de base
O que o corpo precisa mostrar antes de qualquer conduta.
Pedidos na primeira consulta e revistos no pilar I. Cada pilar acrescenta ou repete exames conforme a etapa.
Tireoide
TSH · T4 livre · Anti-TPO quando TSH alterado
Hipotireoidismo produz apatia, lentidão e humor baixo. Hipertireoidismo produz ansiedade, insônia e agitação. Ambos imitam ou pioram transtornos de humor, e o lítio pode alterar a função tireoidiana ao longo do tempo 3, 8.
Quando: Na entrada. Repetir em 3 meses se alterado e a cada 6 a 12 meses em uso de lítio.
Hemograma e ferro
Hemograma completo · Ferritina · Saturação de transferrina
A deficiência de ferro reduz energia, concentração e tolerância ao estresse mesmo antes de causar anemia, e a reposição melhora a fadiga em quem tem ferritina baixa 14.
Quando: Na entrada. Repetir 3 meses após a reposição.
Vitaminas
Vitamina B12 · Folato · 25-OH vitamina D
Deficiência de B12 e folato se associa a depressão e a pior resposta a antidepressivos 4. Deficiência de vitamina D é comum e associada a sintomas depressivos, ainda que a reposição isolada tenha efeito modesto 5.
Quando: Na entrada. Vitamina D a cada 6 meses.
Metabólico e inflamação
Glicemia de jejum · Hemoglobina glicada · Perfil lipídico · PCR ultrassensível
Depressão e síndrome metabólica se retroalimentam 15, e vários psicofármacos alteram peso e glicose. A inflamação de baixo grau se associa a depressão com mais sintomas físicos e resposta pior 16. A linha de base precisa existir antes de começar.
Quando: Na entrada e a cada 6 meses em uso de medicação que altera peso ou glicose.
Função renal e eletrólitos
Creatinina e taxa de filtração glomerular estimada · Sódio · Cálcio
Obrigatórios antes e durante o uso de lítio, que é eliminado pelo rim e pode alterar cálcio e função renal ao longo dos anos. Hiponatremia também pode ocorrer com alguns antidepressivos em pessoas mais velhas 8, 21.
Quando: Na entrada, em qualquer pessoa candidata a estabilizador. Com litemia a cada 3 a 6 meses no primeiro ano de lítio e depois a cada 6 a 12 meses.
Específicos da trilha
Litemia (nível sérico de lítio) · Polissonografia · Beta-hCG em mulheres em idade fértil antes de estabilizadores
A litemia define se a dose está na faixa terapêutica, que é estreita. A apneia do sono produz humor baixo que não responde a antidepressivo 18. Alguns estabilizadores, em especial o valproato, têm risco elevado na gestação e exigem planejamento 8.
Quando: Litemia 5 a 7 dias após cada ajuste de dose e depois periodicamente. Polissonografia se houver ronco, pausas respiratórias ou sonolência diurna.
os seis pilares nesta trilha
Um pilar por retorno. Cada um com entrada e saída medidas.
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Antes de entrar no pilar, o formulário de entrada registra a linha de base. No retorno seguinte, o formulário de retorno registra o que aconteceu e calcula a performance. Cada pilar traz perguntas, métricas, tarefas, hábitos, exames e a integração com a visão 360.
o fim desta trilha
Remissão sustentada e plano de prevenção de recaída
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Nesta trilha, o fim do método não é "parar de sentir tristeza". É remissão sustentada. Os sintomas ficam abaixo do limiar clínico por tempo suficiente para a vida voltar a funcionar. E você tem um plano escrito para reconhecer e agir cedo se o humor começar a escorregar. Remissão é PHQ-9 abaixo de 5 9. Ela é sustentada quando se mantém por pelo menos oito semanas seguidas, com sono regular e função recuperada no trabalho, nas relações e no cuidado de si 2.
A prevenção de recaída é a parte do tratamento mais esquecida e a que mais protege. Manter o antidepressivo após a remissão reduz o risco de recaída em cerca de dois terços em relação a suspender 29. Por isso, no primeiro episódio a medicação fica por 6 a 12 meses depois da remissão. Em depressão recorrente, grave ou com sintomas residuais, por dois anos ou mais. No transtorno bipolar, o estabilizador é tratamento de longo prazo, com monitoramento contínuo 2, 8, 24. Qualquer redução é gradual, planejada e feita só com o médico. Psicoterapia de manutenção, como TCC ou terapia cognitiva baseada em mindfulness, reduz recaída em quem já teve episódios repetidos 22.
Para quem fez a trilha preventiva, o fim é a consolidação: sinais precoces reconhecidos, rotina protetora estabelecida e um combinado claro sobre quando voltar.
Critérios
- PHQ-9 abaixo de 5 por pelo menos 8 semanas consecutivas, medido em dois retornos seguidos
- GAD-7 abaixo de 5 ou ansiedade residual que não limita a função
- Funcionalidade recuperada: trabalho ou estudo, responsabilidades e relações no nível anterior ao episódio, ou em nível que a pessoa considera bom
- Sono regular: horário de acordar fixo em pelo menos 6 de 7 dias e ISI abaixo de 8
- Plano de prevenção de recaída escrito, com sinais precoces pessoais, ações e contatos, revisado com o Dr. Lucas
- Adesão à medicação de manutenção pelo tempo combinado (6 a 12 meses após remissão no primeiro episódio, mais tempo em quadros recorrentes ou bipolares) e monitoramento laboratorial em dia
- Álcool dentro do limite combinado e AUDIT-C abaixo do ponto de corte
- Sem hipomania ou mania no período, com estabilizador em faixa terapêutica quando for transtorno bipolar
Indicadores de chegada
- Gravidade depressiva
- PHQ-9 < 5 por 8 semanas ou mais
- Ansiedade
- GAD-7 < 5
- Insônia
- ISI < 8 e horário de acordar fixo em 6 de 7 dias
- Bem-estar
- WHO-5 acima de 50
- Função
- Trabalho, relações e autocuidado em nível considerado bom pela pessoa por 8 semanas
- Plano de recaída
- Escrito, revisado e compartilhado com uma pessoa de apoio
Manutenção e prevenção de recaída
- Manter a medicação na dose que trouxe a remissão pelo tempo combinado. Nunca reduzir por conta própria, mesmo se sentindo bem
- Repetir PHQ-9 e GAD-7 a cada 1 a 3 meses no primeiro ano após a remissão e voltar a responder semanalmente se algum sinal precoce aparecer
- Proteger o sono como prioridade: horário de acordar fixo, luz de manhã, sem telas na cama, e tratar qualquer insônia que dure mais de duas semanas
- Manter 150 minutos semanais de atividade física moderada ou o equivalente que foi construído na trilha
- Manter o padrão alimentar de base mediterrânea e repetir vitamina D, ferritina e o painel metabólico a cada 6 a 12 meses
- Em uso de lítio: litemia, creatinina, TSH e cálcio a cada 6 a 12 meses, e sempre que houver ajuste de dose, desidratação ou novo medicamento
- Sessões de psicoterapia de manutenção espaçadas, ou um curso de TCC ou mindfulness de prevenção de recaída para quem teve episódios repetidos
- Revisar o plano de recaída a cada 6 meses e antes de períodos de estresse previsível (mudança, luto, viagem longa, parto)
materiais da trilha
Para ler, responder e levar para a consulta.
- Pilar I · CompreenderComece pelo formulário de entrada do primeiro pilar. Ele gera a sua linha de base.Abrir o pilar I
- E-book da trilhaHumor: antes de medicar, a gente mede. 8 capítulos, mitos e verdades, checklist e 30 referências.Abrir o e-book
Este material tem caráter educativo e informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento são decisões do médico, tomadas em conjunto com o paciente.